“Falta se dedicar um pouco mais”, desabafa staff da Team One sobre derrotas no CBLoL

Após mais uma semana com duas derrotas no CBLoL, a situação da Team One mostra-se cada vez mais difícil. O time permanece na lanterna do campeonato com 3 vitórias e 11 derrotas, saldo difícil de ser superado no último turno de md1, que será iniciado neste sábado (20).

Em coletiva de imprensa realizada ao fim do jogo contra o Flamengo no último domingo (14), parte da comissão técnica da Team One — o técnico Neki e o gerente Buzz — comentou os resultados dos golden boys e as perspectivas para o restante do campeonato.

Confira a entrevista na íntegra:

A Team One inquestionavelmente está vivendo um momento complicado no CBLoL. Na opinião de vocês, que veem a equipe por dentro, o que vocês acham que tem acontecido, o que mais está incomodando a equipe, ingame e fora dele?

Buzz: Eu acho que é bem notório que o que está faltando é a gente se dedicar um pouco mais. Players, comissão técnica, Team One em geral. E eu acho que é bem simples: a partir do momento que todo mundo conseguir dar seus 200% dentro de jogo, fora de jogo, em treino, no dia a dia, a gente volta a ser uma equipe muito forte.

No rebaixamento da Team One, você [Neki] estava no grupo, e agora você também está nessa situação difícil. Agora é melhor de um, e, na época, era muito mais difícil se reerguer no campeonato. Quais são as diferenças daquela época para agora?

Neki: Basicamente nada. Mesmo sentimento ruim de você estar em último colocado e de saber que o que você está fazendo durante a semana não está sendo suficiente no final de semana. Isso é o que mais dói, na verdade, e isso nunca vai mudar. Porque eu sempre quero ser campeão, eu sempre quero ganhar. Eu já fui campeão, já fui rebaixado, já fui campeão da série B, passei por 1001 coisas no cenário, e estar em último e estar numa situação assim é ruim. Só que foi o que o Buzz falou: é sentar, é se dedicar, é ter dedicação, é jogar League of Legends, é viver sua vida pelo jogo, é viver por ser um atleta de alto rendimento, é fazer o negócio acontecer. Então se a gente tá nessa situação aqui, é porque a gente não sentou e não trabalhou mais o que a gente poderia fazer pra sair dessa situação. Então a gente tem que sentar e trabalhar, irmão. Porque é o pior sentimento do mundo, eu tô sentindo isso, imagino que os players estejam sentindo isso também, toda a comissão técnica, todo mundo da Team One tá sentindo a mesma coisa, e não tem segredo, cara. Se você quer ganhar, você tem que sentar e fazer seu máximo. Mais do que seu máximo, e superar seus limites.

Buzz: Completando o que o Neki falou, acho que, diferente daquele momento, a gente sabe exatamente o que a gente tá fazendo. Então eu posso falar como comissão técnica, por parte Team One, que a gente só consegue ajudar os caras até a página dois. A gente não entra pra jogar, porque não dá, se não a gente também entraria. Mas neste momento a gente sabe exatamente o que a gente tá fazendo, a gente tá muito confiante no trabalho que a gente tá fazendo, e sempre fica aquela sensação de que faltou um pouquinho mais. Então acho que agora é só um clique, mesmo. É só um estalo, os caras falarem “po, tá faltando algo mais, vamos dar esse gás, vamos fazer acontecer”. Porque estar rebaixado ou estar pensando em playoff, pra a gente, hoje é indiferente, a Team One como um todo enxerga um sábado e um domingo e uma semana de treino. O que isso vai resultar no final, depois todo mundo senta e vê se isso foi bom, se não foi, o que pode mudar.

Hoje terminou oficialmente o segundo turno, semana que vem vai começar o terceiro e último. O Neki já falou que precisa que todo mundo sente, converse e dê seu máximo. Talvez seja necessário, nessa semana, uma conversa mais forte ou mais clara, preto no branco, mesmo, com a equipe?

Neki: Temos todos os dias.

Buzz: É exatamente o que eu ia falar. Acho que uma equipe que não conversa diariamente, que não tenta se acertar diariamente já é um erro. Então se é o primeiro turno ou terceiro turno pra nós não muda muito, eu acho que uma coisa que a gente veio retomando agora que a gente não tinha há um tempo eram as nossas conversas, a famosa lavação de roupa suja, onde como uma família, como um grupo, é normal, onde você senta com seus pais e fala “pô, não gostei que vc deu bronca em mim, não gostei disso”. Eu acho que isso no nosso estilo funciona da mesma maneira, nós fomos campeões assim. Nós fomos campeões em 2017 no momento em que a gente discutia e brigava todos os dias. De segunda a segunda, a gente falava cara isso é surreal, acho que não existe, e a gente foi campeão. Então a gente sabe que isso funciona, e agora a gente tá trazendo pros atletas essa liberdade de falar, de ouvir. É chato? É chato pra caramba, ninguém gosta de acordar 9 horas da manhã e começar a discutir. Mas se a discussão ela começa a ser qualificada, ela começa a dar muito resultado. E é isso que a gente tá buscando.

No começo do split, vocês nitidamente tiveram problemas por conta da ausência do Absolut. Vocês ficaram desfalcados e surgiram opiniões de que isso foi falta de planejamento, por não ter encontrado um substituto para o Absolut a tempo. Como vocês avaliam essa opinião? Vocês acreditam que, em algum nível, o fato de não ter um planejamento para a ausência do Absolut pode ter influenciado nos resultados?

Buzz: Não, eu acredito que não. Eu até fiz um comentário no Twitter esses dias dizendo que se alguém quisesse discutir planejamento realmente entender isso numa escala maior, a gente podia sentar num lugar e fazer uma entrevista, enfim, que a gente explicaria. Eu acho que não, pelo contrário. Eu acho que o que atrasou bastante nosso início de campeonato foi a falta de comprometimento das peças com o que nós contávamos. Isso atrapalhou muito nosso planejamento, porque não foram uma, não foram duas, foram três vezes. Então o fato de você ter um cara contratado, assinado com você, com uma passagem comprada, e o cara simplesmente não embarcar, isso atrapalha muito nosso planejamento. Ou então você, 10 minutos antes de mandar a escalação geral para a Riot pro dia oficial, o cara falar “não quero mais”, isso atrapalha muito. Então isso que foi o grande X da questão. Acho que a partir do momento que tudo deu errado… eu até parabenizo o time pela maturidade de falar “gente, a peça que temos hoje é o Luskka, ele está conosco, vai fazer acontecer. Vamos começar a planejar nosso campeonato daqui pra frente? Po, vamos”. Então todo mundo sentiu isso. E, óbvio, na situação que a gente tá… a gente começou o campeonato 0-8. Começou a ganhar, e agora a gente viu que a coisa tá começando a ter uma dificuldade. É normal, a gente começou o campeonato praticamente 3 semanas atrasado. Isso que tá acontecendo com a gente aconteceu com os outros times no começo do split. Então agora a gente tá reformulando e, eu vou ser muito sincero, a gente tá muito tranquilo. Temos 10 peças, eu bato muito nessa tecla, não temos titular, não temos reservas, igual quando a gente faz alguma alteração, põe o Klowny, põe o Brucer, muita gente critica, fala pô, o cara é ruim, os números do cara são ruins… eu acho que número não prova nada. Acho que tem N fatores externos que atrapalham no dia a dia e estou 100% confiante de que qualquer um dos 10 que entrar pra jogar, inclusive o Absolut se ele achar que está pronto para voltar a jogar, eu tenho plena confiança de que o time está pronto para jogar.

Vocês comentaram aqui na bancada que a comissão técnica vai até a página 2, depois o pessoal entra e pode estar faltando comprometimento. O quanto vocês estão medindo vocês dois estarem aqui passando a visão da Team One e não a visão de um jogador? Vocês estão blindando eles, e até quando blindar é bom? Não passar parte da responsabilidade para eles?

Neki: Cara, eu não acho que a gente tá blindando jogador, não. Inclusive isso que a gente tá conversando agora a gente acabou de conversar 10 minutos atrás ali na sala. A gente tá conversando, tá sendo transparente, é o ambiente que a gente criou, foi assim desde o começo do campeonato, quando a gente tava com problema. Nada que a gente faz não é transparente, a gente é transparente em tudo o que a gente faz e em tudo que a gente tá pensando. Eu acho que isso que faz um grupo ser bom, inclusive. Então eu não acho que a gente esteja blindando, não. Eu só acho que, em alguns momentos, quando a gente vem de duas derrotas, assim, as vezes não é a mesma ideia mesmo alguém estar aqui. Quem foi escalado foi eu e o Buzz, então estamos aqui, agora.

Buzz: Inclusive, fazendo um complemento… até a falta de comprometimento, ela pode ser interpretada de várias maneiras. Eu já vim de outros esportes, o Neki veio de outros esportes, assim como muitos de vocês vieram de alguns outros esportes, e, cara, eu sou de uma geração que eu não gosto de perder nem par ou ímpar. Então, pra mim, a situação que eu estou hoje, e se eu tivesse jogando, eu ia estar saindo quebrando tudo, eu ia estar maluco da cabeça, e eu ia encontrar alguma maneira de fazer isso acontecer. E, sabendo de como os nossos atletas estão, e de tudo o que a gente conversou lá atrás agora, a gente realmente botou os panos na mesa e todo mundo está assim, a gente acha que foi uma decisão da parte do PR [Public Relations] de poder passar quem conseguiria conversar com vocês de uma maneira mais clara agora. Porque como eu falei, eu já sou competitivo. Se eu saísse de um jogo, eu ia sair completamente transtornado, pra tentar ser claro com vocês. Então acho que para clarificar isso, a gente tá aqui agora.

Vocês sentem que a comissão técnica e os jogadores, estão na mesma página? Na mesma pegada de querer vencer, querer mudar esse panorama?

Neki: Eu não tenho dúvida de que nós estamos. Eu acredito que até a transparência do nosso trabalho faz a gente trabalhar dessa maneira. Eu acho que o Buzz concorda comigo nessa opinião, e sempre foi assim, desde o começo, essa transparência que a gente tem, de sempre colocar todo mundo na mesma página. Ao longo do campeonato, já foram dois turnos que a gente fez, foi um longo trabalho que a gente fez. Nós, da Team One, sempre damos nosso 200, 300%, a gente nunca foge de uma luta, nunca foge de uma batalha, sempre foi assim, inclusive no Desafiante passado que a gente jogou e começou o campeonato mal, também… e a gente está nessa batalha desde antes de o campeonato começar, quando começaram os problemas. E desde lá, como o Buzz falou, todo mundo conversou, todo mundo discute e tá todo mundo na mesma página. Mas às vezes falta aquele algo mais, né. Que é o que a gente tá buscando.

Buzz: Eu acho que o ponto vencer e querer vencer… Eu acho que você pode querer vencer no sábado e no domingo, mas como você vai querer vencer na segunda até o sábado e domingo é o que vai dar o diferencial pra você ser campeão. Acho que o time que ganha é o time que quer ganhar, mas que quer ganhar todo dia.

Fica muito evidente na coletiva que a comissão técnica tem dado o sangue por esse time, tanto vocês dois quanto o restante da comissão. O que motiva vocês dois a continuarem dando tudo de si para o time?

Buzz: Eu acho que o primeiro ponto disso tudo é gratidão. Eu acho que pelo menos pra mim, quando eu vim para a Team One, quando eu ingressei na Team One, eu estava num momento muito ruim pra mim, em questão profissional, em questão de vida, e a Team One acreditou em um possível potencial que eu tinha, e hoje eu cresci como profissional, cresci como pessoa, estando na Team One. Então eu acho e isso eu falo por mim, a maior motivação que eu tenho pela empresa, por essa família, é saber que ela me tirou do lixo e hoje ela está me dando uma qualidade de vida muito boa, e o mínimo que eu posso fazer como ser humano, como pessoa, é dar tudo o que eu tenho em troca.

Neki: Não muda muito da do Buzz, na verdade. Em 2017, antes de eu entrar na Team One, eu tava passando por uma situação muito complicada também, em que eu não tinha oportunidade de trabalho e eu tava quase pronto a deixar de fazer o que eu amo, e a Team One me deu essa oportunidade, que a gente não desperdiçou, fomos campeões logo que eu entrei na Team One. Logo depois disso, passamos muitas baixas e muitos altos também, e com todo o apoio que a Team One me dá, as segundas chances, várias segundas chances inclusive, me motivam a ser também um profissional melhor. O que eu faço pela Team One, o que eu faço pela torcida da Team One, pelos jogadores, por todo mundo que trabalha nessa empresa, é do fundo do meu coração o máximo que eu posso dar, de verdade.

Buzz: Fora que, desde 2017, a gente vem de momentos ruins, a gente vem sempre, usando aquela gíria popular, vendendo o almoço pra comprar janta, e sobrevivendo… e a gente veio do nada, e hoje temos uma das melhores estruturas do Brasil. Então acho que, pô, o que mais eu quero de motivação, saber que em 3 anos de dificuldades a gente conseguiu crescer dessa maneira? O que eu quero e onde a gente pode chegar em 10 anos? Acho que essa é a maior motivação que a gente tem, é um slogan que a gente gosta de usar é: sempre criar pessoas melhores e dar oportunidade para pessoas. Acho que essas são as motivações que a gente tem pra continuar fazendo acontecer independente de resultado, de jogo, tanto que a gente tem outros times, outros resultados, e isso não muda realmente o que a gente faz no trabalho na parte de staff.

Uma outra equipe que também estava disputando as últimas posições com vocês era a paiN Gaming. Nos jogos de hoje e de ontem eles buscaram picks diferentes, estratégias diferentes para tentar vencer, mas, apesar de ontem não ter dado certo, hoje deu. Agora, no terceiro turno, talvez isso possa ser uma solução para a Team One, buscar coisas novas seja em questão de pick ou de escalação, considerando que vocês tem 10 jogadores?

Buzz: Cara, eu acho que no LoL em si, é muito mais simples do que a gente pensa. Você tem que ir no que você tem 100% de confiança que você é bom. Vou usar mais uma vez o exemplo de 2017, onde a gente não queria saber muito de meta, ou a gente não entendia o que tava acontecendo. A gente selecionava 5 bonecos que faziam muito nosso playstyle, e a gente ia, a gente lutava, a gente começava atrás, virava o jogo e fazia acontecer. Então eu acho que tanto como playstyle quanto picks, quanto jogadores, eu acho que é sobre o que está 200% confiante na nossa mão, e o que todo mundo quer fazer acontecer. Então quando a gente tem as 5 peças que querem fazer acontecer e a gente tem um playstyle que funciona pra nós, seja Heimerdinger, enfim, funciona. A gente tem exemplo de times fora do país que não tão nem aí pra meta, eles fazem, eles pegam o que eles são muito bons e fazem acontecer. Eu acho que não tem.

Neki: Tirando que o meta possibilita isso, né. A gente tá num meta no League of Legends que cada equipe tem seu meta, cada equipe tem seu playstyle, seu estilo de jogo e de composição, vide a G2 lá fora, os times usam estratégias diferentes… então o meta proporciona isso, se a gente estiver apto a fazer em qualquer estilo de jogo o que a gente conseguir fazer uma estratégia diferente, vamos fazer, isso a Team One sempre fez.

Fonte: https://www.espn.com.br/esports/artigo/_/id/5847146/falta-se-dedicar-um-pouco-mais-desabafa-staff-da-team-one-sobre-derrotas-no-cblol


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